A cozinha paraibana é honesta. Não tem firula, não tem decoração mirabolante, e não tem segredo escondido. O que tem é matéria-prima boa e tempero passado de geração em geração. Cinco coisas que você precisa provar antes de ir embora.
1. Rubacão
É o prato-irmão da feijoada, só que com feijão verde, queijo coalho derretido, arroz cozido junto, charque ou carne de sol. Servido bem quente, com farofa, vinagrete e banana frita. Cremoso, salgado na medida, satisfaz.
Onde comer: Rubacão Restaurante (Manaíra), Tropeiro (Tambaú), Mangai (apesar de ser rede, faz versão honesta).
2. Carne de sol com queijo coalho
A rainha. Carne salgada, levemente ressecada ao sol, depois grelhada na manteiga de garrafa. Acompanha queijo coalho na chapa, macaxeira cozida, paçoca de carne, arroz, feijão e farofa. É o prato que mata fome do almoço até a janta.
Onde comer: Mangai é a opção segura. Casa da Lavoura (Centro) faz uma versão mais raiz. Cassino da Lagoa tem ambiente bonito.
Dica: peça com banana frita junto. A combinação do doce da banana com o sal da carne é o que faz a magia.
3. Tapioca recheada
No Nordeste, tapioca não é só goma branca dobrada. É praticamente um cardápio inteiro. Você escolhe: tapioca de queijo coalho com manteiga de garrafa, carne de sol com queijo, frango com catupiry, coco com leite condensado (essa é sobremesa).
Onde comer: Tapioca da Sertaneja (Tambaú, é um quiosque pequeno, fila enorme à noite). Café da manhã do Gaudium já serve algumas opções (tapioca de queijo coalho, doce de leite).
4. Peixe na telha
Filé de peixe (geralmente cioba, pescada ou robalo), grelhado na manteiga, servido em telha de barro com molho de camarão, banana da terra frita, arroz e farofa. É o prato de praia por excelência.
Onde comer: Bar do Surfista (Cabedelo), Pirão (Tambaú), Vila do Porto (Centro). Pede sempre o pescado do dia.
5. Camarão na moranga
Polpa de moranga assada virada num pote, recheada com camarões cozidos no creme de leite com catupiry, servidos quentes. É pesado, é farto, é pra dividir.
Onde comer: Praticamente qualquer restaurante de praia. Pirão tem uma das melhores versões.
Bônus: o cafezinho
A Paraíba é estado produtor de café (do brejo paraibano), e o cafezinho aqui é forte, encorpado, sem firula. Tomar um cafezinho à tarde num bar de calçada, com brigadeiro de colher ou bolo de rolo, é programa. No Gaudium, o café da manhã serve o cafezinho coado da casa todos os dias — vale sentar com calma e tomar dois.
Bebida pra acompanhar
- Caldo de cana com limão é tradicional pra acompanhar tapioca salgada.
- Suco de cajá ou suco de mangaba — frutas do Nordeste que você dificilmente encontra fora da região.
- Cerveja gelada com camarão e peixe, sempre.
O que evitar
- Restaurante de calçadão na hora do rush turístico (12h e 19h). Espera enorme, comida apressada.
- Buffet self-service por quilo se você quer experiência regional — é prático, mas o prato perde a identidade.
- Camarão grelhado seco em quiosque sem ar-condicionado em dia muito quente. O camarão estraga rápido, peça em lugar com volume de gente.
Roteiro de 3 jantares
- Noite 1: Mangai (carne de sol + rubacão, jantar consistente).
- Noite 2: Bar do Surfista, em Cabedelo (peixe na telha + iscas + cerveja).
- Noite 3: Tapioca da Sertaneja (jantar leve, gostoso, barato).
E se você quer fugir do óbvio, dá uma volta pelos botecos da Lagoa (Parque Sólon de Lucena) à noite. Ali tem petisco, cerveja, conversa e zero turista. É o lugar onde os pessoenses comem quando o turista vai pra Tambaú.
Bom apetite.