João Pessoa nasceu antes da maioria das capitais brasileiras. Fundada em 5 de agosto de 1585, ela é a terceira cidade mais antiga do país, atrás apenas de Salvador (1549) e Olinda (1535). Quando os portugueses chegaram à foz do rio Paraíba, batizaram o lugar de Nossa Senhora das Neves — em uma homenagem à santa cuja festa caía no mesmo dia.
Pouco tempo depois, o nome mudou para Filipeia de Nossa Senhora das Neves, em referência a Felipe II da Espanha. Mas a história não parou aí. Já passou por Frederica (durante a invasão holandesa, em homenagem a Frederico Henrique), Parahyba (de volta ao nome original do rio), e finalmente João Pessoa, em 1930, em memória ao governador assassinado naquele mesmo ano, gatilho da Revolução de 1930.
Cinco nomes, uma só alma
A cidade tem mais história embutida do que parece à primeira vista. Caminhe pelo Centro Histórico e você vai esbarrar em construções dos séculos XVI e XVII que ainda estão em pé. A Igreja de São Francisco, com seu Convento de Santo Antônio, é considerada uma das mais belas obras barrocas das Américas. A Casa da Pólvora é de 1710. O Hotel Globo, com sua varanda de mirante para o pôr do sol no rio Sanhauá, foi construído no século XIX e hoje é centro cultural.
Quem visita João Pessoa rapidinho confunde com qualquer outra praia do Nordeste. Quem fica uma semana, descobre que é uma cidade pequena que viveu muito.
A capital mais verde do Brasil
Outra coisa que poucos turistas sabem: João Pessoa é a segunda cidade mais arborizada do mundo, atrás apenas de Paris, segundo levantamento da ONU. Tem 7 m² de área verde por habitante, o dobro do recomendado pela própria ONU. É comum andar de carro por avenidas inteiras cobertas por uma copa contínua de árvores antigas — em Tambaú, no Castelo Branco, no Cabo Branco.
E essa abundância de verde não é por acaso. A cidade está cercada pela Mata Atlântica, e tem dentro do perímetro urbano várias reservas que foram preservadas: o Jardim Botânico Benjamim Maranhão, a Mata do Buraquinho (com 471 hectares, uma das maiores florestas urbanas do Brasil), e a APA do Cabo Branco, no ponto mais oriental das Américas.
O ponto mais a leste
Falando nisso: o Farol do Cabo Branco marca o ponto mais oriental das Américas continentais. É o lugar do continente onde o sol nasce primeiro todos os dias. Se você está hospedado no Gaudium Flats, dá pra ir lá em 15 minutos de carro. Ver o nascer do sol no Cabo Branco é uma experiência que muito brasileiro nunca fez.
Curiosidades que cabem no bolso
- 1585: ano da fundação, durante o reinado de Felipe II.
- 5 nomes ao longo de quatro séculos: Nossa Senhora das Neves, Filipeia, Frederica, Parahyba, João Pessoa.
- 2ª cidade mais arborizada do mundo, segundo a ONU.
- Ponto mais oriental das Américas continentais — o sol nasce aqui antes de qualquer outro lugar.
- Patrimônio mundial pela UNESCO desde 1985 (em estudo de tombamento para o Centro Histórico).
Por que isso importa pra quem visita
Saber a história da cidade muda o jeito como você anda nela. Em vez de uma sequência de praias bonitas (que ela tem), João Pessoa vira uma cidade com camadas, com lugares que viram coisas acontecerem. A Lagoa do Parque Sólon de Lucena, no centro, foi onde a cidade nasceu — é o lago natural mais central de uma capital brasileira. A Praça Antenor Navarro, no centro histórico, tem prédios coloridos do século XVIII que foram restaurados e hoje abrigam ateliês e bares.
Da próxima vez que vier, separe meia manhã pra caminhar pelo centro. Não é muito longe do Gaudium — 12 minutos de carro — e dá pra fazer com calma, parando num café, almoçando num restaurante de comida regional, voltando pra praia no fim da tarde.
Quem sabe quatro séculos de história em quatro horas de passeio.